Epílogo – Quando as cortinas se fecham num palco… mas se abrem em outro
Mademoiseile,
Sendo o mundo o grande palco para o teatro da vida, narrado por Machado de Assis e Oscar Wilde, eu saio da sua peça, com muito orgulho, ao fim do próximo ato. Saio com os aplausos do público, ovacionado pela crítica, tendo emocionado e feito as donzelas chorarem e suspirarem de paixão. Ainda que por pouco tempo, pude contracenar com a linda protagonista, e nos meus braços ela foi Julieta e Desdêmona. Pude com meus beijos, abafar seu grito durante o gozo, e envolvê-la em meus braços nos momentos de tristeza. Pude entender a confusa e delicada alma dessa anti-heroína cheia de vicissitudes, às quais amei até a última gota do orvalho, que caía lentamente por entre seus seios rosados.
Parto agora para uma nova peça, e levo comigo minhas falas e trejeitos. Serei o ator de outros públicos, comediante e dramaturgo, continuarei fazendo pessoas pelo mundo se emocionarem com as minhas interpretações. Pois depois de tanto viver desse ofício, a minha máscara se tornou eu, e eu sou mais de mil máscaras. Serei Don Juan e Otelo, Hamlet e Ovídio, serei o homem comum de Nelson Rodrigues. Eu adoraria ficar e assistir ao final da sua peça, mas é preciso viver e escrever a minha.
E é com pesar no coração que saio ao final do ato, partirei para outras bandas e viverei as novas personagens que criarei, inspirado
Carinhosamente seu,
Eterno apaixonado,
Amante e quiçá Amado,
Um bobo Pierrot
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